terça-feira, 10 de maio de 2016

terça-feira, 19 de abril de 2016

Ser pai de menina é...



eduardo buzzinari - pai de menina
(Este texto é parte integrante do livro Pai de Menina: Bem-vindo ao Mundo Cor de Rosa, de Eduardo Buzzinari)



Ser pai de menina é ter que aprender a dar laços em vestidos, a pentear os cabelos da filha e a passar esmalte nas unhazinhas dela. É estar disposto a brincar de bonecas, a pular amarelinha e a inventar histórias de bichinhos. É achar natural colecionar figurinhas cor de rosas e se emocionar com filmes de princesas.
É trocar os heróis da liga da justiça por um grupo esquisito de fadinhas encantadas. É torcer para que o mocinho beije a mocinha no final da aventura no cinema. É passar horas colorindo estrelinhas e desenhando coraçõezinhos atravessados por flechas numa folha de papel. É finalmente experimentar (ou redescobrir) a cor de rosa na caixa de lápis de cor.
Ser pai de menina é acordar que nem um zumbi pra trocar fraldas e se desmanchar quando a baixinha abre aquele sorriso no meio da madrugada. Aquela banguelinha... É pegar a filha no colo e levantá-la bem alto, enquanto a mamãe grita cuidado pra não cair. E ela só rindo. É ir à apresentação de balé no fim do ano e ficar o tempo todo tirando fotos na primeira fila da platéia. É saber de cor a letra das musiquinhas de ninar e se pegar cantando sozinho, sem querer, enquanto muda de roupa para ir trabalhar. É sentir na própria pele a agulha da vacina e fazer cara feia pra enfermeira que fez sua garotinha chorar.
É pegar na mãozinha dela pra entrar no mar e ouvi-la dando um gritinho quando a primeira onda lhe chega aos pezinhos. É ficar feliz da vida quando alguém se aproxima e diz é a cara do pai. E não é que é? É detestar a hora do com quem será nas festinhas de aniversário. É levar a pequena correndo para colocar os brinquinhos ainda nas primeiras semanas de vida. É entender de xuquinha, laço de fita e comida de mentirinha. É perder a esportiva quando os amigos vêm com aquele papo atravessado de fornecedor. Que ideia mais torta...
Ser pai de menina é vigiar como um cão de guarda a entrada do berçário. É sentir a filha dormindo serena e tranquila sobre seu peito e ignorar solenemente a opinião dos especialistas que recomendam o berço. É ensinar a boneca a arrotar refrigerante e a dar risada depois. É morrer de orgulho quando ela sobe mais alto que qualquer menino no trepa-trepa do parque. É ficar todo bobo de vê-la andando meio atrapalhada com os sapatos de salto da mãe. É não ter vergonha de admitir o ciúme de vez em quando. É sentir cortar o coração quando vê descer uma lágrima dos olhinhos dela. É carregar para sempre na lembrança uma pequena bailarina que não cresce jamais. 
        É descobrir que não existe um dia igual ao outro e que a vida não foi feita com manual de instruções.
É ser o primeiro amor da sua filha e nela descobrir o mais puro e doce dos amores.
Amor que não se mede.
E, sobretudo, é se derreter feito manteiga quando aquelas duas jabuticabinhas se abrirem ao mundo e encontrarem seus olhos pela primeira vez ainda na sala do hospital.
Se segura, parceiro.
Você vai se apaixonar.





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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Terrible Two: A Idade da Birra


pai de menina - eduardo buzzinari
(Conheça o livro Pai de Menina: Bem-vindo ao Mundo Cor de Rosa, de Eduardo Buzzinari)


Antigamente – e quando digo antigamente me refiro a antes de ter filhos – eu via uma criança fazendo birra no shopping e logo pensava que a culpa era dos pais. Era só ver os pequeninos batendo o pezinho, sacolejando os braços ou chorando a plena força dos pulmões que eu já crucificava os pobres do papai e da mamãe. Isso é culpa dos pais que não chamam a atenção da menina, não educam, não impõem os limites na hora certa... Aí, depois ela cresce e vira uma adolescente mimada, que não respeita ninguém... Mas a própria vida irá tratar de ensiná-la no futuro e etecetera e etecetera... Esse era o meu discurso antes de passar a jogar no time dos casados e cometer a insanidade de me tornar pai.
Eu achava que, para criar um filho, não era necessário nada além de um diálogo franco e aberto. Ledo engano. Pura ilusão. Não que o diálogo não seja importante na relação pai e filho, mas, para que esse mecanismo tenha alguma utilidade prática, é preciso um mínimo de cooperação e atenção participativa do interlocutor. E isso só se torna minimamente viável lá pelos quatro ou cinco anos de idade. Em outras palavras, entabular uma conversa racional com uma criança menor que isso é o mesmo que tentar convencer as paredes de que o céu é vermelho.
Acredite em mim: é absolutamente impossível argumentar com uma criança de dois anos que se encontra enlouquecida de raiva porque o canudo da lanchonete não é da cor que ela queria.
Por isso, se você ainda não tem filhos, tenha um pouco de complacência com aquele pai desesperado porque a linda pivetinha se recusa a sentar na cadeirinha e colocar o cinto de segurança ao embarcar no automóvel da família. Lembre-se de que ele deve estar sem dormir direito há semanas, cansado de trocar fraldas dez vezes ao dia e preocupado porque a baixinha não quer comer nada ultimamente. Lembre-se de que sua casa provavelmente está com as paredes rabiscadas, brinquedos espalhados pela sala e um rolo de papel higiênico atolado no vaso sanitário. Lembre-se de que o carro dele certamente não vê água desde a última chuva e deve estar com os bancos cheios de pegadas de criança e farelo de biscoito.
E tudo graças à coisinha mais fofa e inofensiva da casa.
Isso mesmo.
Aquela anjinha capaz de fazer o mundo se desmanchar num sorriso. Todo cuidado com ela! A baixinha acaba de entrar na idade da birra.

Sempre na vanguarda dos slogans e clichês irritantes, os americanos criaram a expressão terrible two (ou terríveis dois, na tradução literal) para denominar o período catastrófico que começa por volta de um ano e meio de idade da criança e se estende dramaticamente até que ela complete o terceiro aniversário. Um pouco mais ou um pouco menos, dependendo da sua má sorte. É justamente nessa fase que a pequenina começa a expressar seus desejos e opiniões próprias, o que nem sempre se contextualiza de modo civilizado e coerente.

- Liz, o que você quer comer?
- Batatinha.
E quando o pai chega com o prato de batatinhas...
- Eu não quero isso!
E dá-lhe pirraça.

A verdade é que aos poucos – e por falta de alternativa diversa – os pais vão se adaptando aos chiliques e faniquitos dos filhos. Acostumam-se a fazer as refeições ao som da insuportável programação da TV infantil; aprendem a melhor forma de imobilizar as pernas da criança na hora de trocar as fraldas (de modo a evitar um chute na cara); e passam a agir com naturalidade enquanto ela se deita no chão do supermercado e esperneia porque quer abrir e comer o tubo da pasta de dente que acaba de ser colocada no carrinho.
É isso aí, parceiro...
A boa notícia, como já disse Piangers, é que o terrible two não dura para sempre. E nem poderia.
Até porque depois dele vem o terrible three, o terrible four...

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segunda-feira, 14 de março de 2016

A Fase do Não


(Conheça o livro Pai de Menina: Bem-vindo ao Mundo Cor de Rosa, de Eduardo Buzzinari)


Não, não e não!
Taí a mais nova palavra favorita da minha filha.
Desde que aprendeu a juntar essas três letrinhas, a pivetinha não fala outra coisa. Tudo que se pergunta – por mais curioso que seja – ela responde com um sonoro e estrondoso não.
- Lara, você quer papar?
- Não!
- Você quer água?
- Não!
- Você viu meus chinelos?
- Não!
- Você já fez pipi?
- Não!
- Você gosta do papai?
- Não!
- Então posso ir embora?
- Não!

Dizem os especialistas que a fase do não faz parte do desenvolvimento infantil e se inicia por volta dos dois anos de idade. É nesse período que a criança percebe que pode ter uma opinião própria sobre determinados assuntos, o que será fundamental para a definição de sua personalidade. Pois é. A baixinha está mesmo crescendo, quem diria... E aqui vai um alerta aos navegantes! É nessa etapa que a filha começa a testar autoridade dos pais e a explorar os limites da sua paciência ao rejeitar seus comandos.
- Lara, vem falar com a vovó!
- Não.
- Lara, tá na hora do banho!
- Não.

E o que fazer? O fundamental é manter a calma e tentar imaginar soluções criativas para contornar esses inevitáveis impasses do dia-a-dia. Uma boa alternativa ao problema – que nem sempre funciona, vou logo avisando – consiste em oferecer opções claras e objetivas para que a criança tenha a falsa sensação de que possui as coisas sob controle. Por exemplo:
- Você quer vestir a blusinha branca ou a amarela?
- Você quer beber leite ou suco?

É claro que não se pode lançar mão desse expediente quando só houver uma resposta aceitável, como no caso de sentar a menina na cadeirinha e colocar o cinto de segurança dentro do carro.
E lembre-se que nem sempre o não significa a negação de um conceito. Às vezes, a criança fala não porque está aborrecida ou simplesmente cansada. Isso geralmente acontece quando ela recusa algo que seja de seu agrado (como um brinquedo novo) e pode estar associado a uma portentosa birra. Nesses casos, nem chocolate resolve... Outras vezes, o não é dito por mero hábito ou força de expressão e não quer dizer nada mesmo.
- Lara, você quer ir embora?
- Não.
- Então você quer ficar?
- Não.

Existem casos, ainda, em que o não quer dizer sim, o que pode parecer meio complexo à primeira vista, embora perfeitamente compreensível por uma mãe ou um pai experimentado no assunto. O certo é que saber interpretar um não é uma arte de raro talento e requer certa dose de experiência do ouvinte.
Mas não há nada que a paternidade não resolva.
E, com um pouco de paciência, qualquer novo papai ou mamãe estará habilitado a identificar os mais diversos tipos de não. Portanto, não entre em pânico quando a pivetinha se recusar a atender às suas ordens. Nem sempre o não da sua filha significa um desafio à sua autoridade. Na maioria das vezes, ela estará apenas testando a sonoridade das letras e se divertindo com o impacto que essa palavrinha causa ante a reação inusitada das pessoas.
E logo, logo essa fase passa.
         Ou não.

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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Pai de menina sofre (II)


pai de menina - eduardo buzzinari


            Minha linda bailarina de carnaval.
            Pai de menina sofre.
            Mas se diverte!

sábado, 2 de janeiro de 2016

Pai de menina sofre


pai de menina - eduardo buzzinari


            Imagina só essa princesa daqui a quinze anos... Não é mole não, parceiro!
            Pai de menina sofre.
            Mas se diverte!