segunda-feira, 5 de setembro de 2016
domingo, 14 de agosto de 2016
terça-feira, 10 de maio de 2016
terça-feira, 19 de abril de 2016
Ser pai de menina é...
(Este texto é parte integrante do livro Pai de Menina: Bem-vindo ao Mundo Cor de Rosa, de Eduardo Buzzinari)
Ser
pai de menina é ter que
aprender a dar laços em vestidos, a pentear os cabelos da filha e a passar
esmalte nas unhazinhas dela. É estar disposto a brincar de bonecas, a pular
amarelinha e a inventar histórias de bichinhos. É achar natural colecionar
figurinhas cor de rosas e se emocionar com filmes de princesas.
É
trocar os heróis da liga da justiça por um grupo esquisito de fadinhas
encantadas. É torcer para que o mocinho beije a mocinha no final da aventura no
cinema. É passar horas colorindo estrelinhas e desenhando coraçõezinhos
atravessados por flechas numa folha de papel. É finalmente experimentar (ou redescobrir)
a cor de rosa na caixa de lápis de cor.
Ser
pai de menina é acordar que nem um zumbi pra trocar fraldas e se desmanchar
quando a baixinha abre aquele sorriso no meio da madrugada. Aquela
banguelinha... É pegar a filha no colo e levantá-la bem alto, enquanto a mamãe
grita cuidado pra não cair. E ela só
rindo. É ir à apresentação de balé no fim do ano e ficar o tempo todo tirando
fotos na primeira fila da platéia. É saber de cor a letra das musiquinhas de
ninar e se pegar cantando sozinho, sem querer, enquanto muda de roupa para ir
trabalhar. É sentir na própria pele a agulha da vacina e fazer cara feia pra
enfermeira que fez sua garotinha chorar.
É
pegar na mãozinha dela pra entrar no mar e ouvi-la dando um gritinho quando a
primeira onda lhe chega aos pezinhos. É ficar feliz da vida quando alguém se
aproxima e diz é a cara do pai. E não
é que é? É detestar a hora do com quem
será nas festinhas de aniversário. É levar a pequena correndo para colocar
os brinquinhos ainda nas primeiras semanas de vida. É entender de xuquinha,
laço de fita e comida de mentirinha. É perder a esportiva quando os amigos vêm
com aquele papo atravessado de fornecedor.
Que ideia mais torta...
Ser
pai de menina é vigiar como um cão de guarda a entrada do berçário. É sentir a filha
dormindo serena e tranquila sobre seu peito e ignorar solenemente a opinião dos
especialistas que recomendam o berço. É ensinar a boneca a arrotar refrigerante
e a dar risada depois. É morrer de orgulho quando ela sobe mais alto que
qualquer menino no trepa-trepa do parque. É ficar todo bobo de vê-la andando
meio atrapalhada com os sapatos de salto da mãe. É não ter vergonha de admitir
o ciúme de vez em quando. É sentir cortar o coração quando vê descer uma
lágrima dos olhinhos dela. É carregar para sempre na lembrança uma pequena
bailarina que não cresce jamais.
É descobrir que não existe um dia igual ao
outro e que a vida não foi feita com manual de instruções.
É descobrir que não existe um dia igual ao
outro e que a vida não foi feita com manual de instruções.
É ser o primeiro
amor da sua filha e nela descobrir o mais puro e doce dos amores.
Amor
que não se mede.
E,
sobretudo, é se derreter feito manteiga quando aquelas duas jabuticabinhas se
abrirem ao mundo e encontrarem seus olhos pela primeira vez ainda na sala do
hospital.
Se segura, parceiro.
Você vai se
apaixonar.
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quarta-feira, 6 de abril de 2016
Terrible Two: A Idade da Birra
(Conheça o livro Pai de Menina: Bem-vindo ao Mundo Cor de Rosa, de Eduardo Buzzinari)
Antigamente – e quando
digo antigamente me refiro a antes de ter filhos – eu via uma criança
fazendo birra no shopping e logo
pensava que a culpa era dos pais. Era só ver os pequeninos batendo o pezinho,
sacolejando os braços ou chorando a plena força dos pulmões que eu já
crucificava os pobres do papai e da mamãe. Isso
é culpa dos pais que não chamam a atenção da menina, não educam, não impõem os limites
na hora certa... Aí, depois ela cresce e vira uma adolescente mimada, que não
respeita ninguém... Mas a própria vida irá tratar de ensiná-la no futuro e
etecetera e etecetera... Esse era o meu discurso antes de passar a jogar no
time dos casados e cometer a insanidade de me tornar pai.
Eu achava que, para
criar um filho, não era necessário nada além de um diálogo franco e aberto.
Ledo engano. Pura ilusão. Não que o diálogo não seja importante na relação pai
e filho, mas, para que esse mecanismo tenha alguma utilidade prática, é preciso
um mínimo de cooperação e atenção participativa do interlocutor. E isso só se
torna minimamente viável lá pelos quatro ou cinco anos de idade. Em outras
palavras, entabular uma conversa racional com uma criança menor que isso é o
mesmo que tentar convencer as paredes de que o céu é vermelho.
Acredite em mim: é
absolutamente impossível argumentar com uma criança de dois anos que se
encontra enlouquecida de raiva porque o canudo da lanchonete não é da cor que
ela queria.
Por isso, se você ainda
não tem filhos, tenha um pouco de complacência com aquele pai desesperado
porque a linda pivetinha se recusa a sentar na cadeirinha e colocar o cinto de
segurança ao embarcar no automóvel da família. Lembre-se de que ele deve estar
sem dormir direito há semanas, cansado de trocar fraldas dez vezes ao dia e
preocupado porque a baixinha não quer comer nada ultimamente. Lembre-se de que
sua casa provavelmente está com as paredes rabiscadas, brinquedos espalhados
pela sala e um rolo de papel higiênico atolado no vaso sanitário. Lembre-se de
que o carro dele certamente não vê água desde a última chuva e deve estar com
os bancos cheios de pegadas de criança e farelo de biscoito.
E tudo graças à coisinha
mais fofa e inofensiva da casa.
Isso mesmo.
Aquela anjinha capaz de
fazer o mundo se desmanchar num sorriso. Todo cuidado com ela! A baixinha acaba
de entrar na idade da birra.
Sempre na vanguarda dos slogans e clichês irritantes, os
americanos criaram a expressão terrible
two (ou terríveis dois, na
tradução literal) para denominar o período catastrófico que começa por volta de
um ano e meio de idade da criança e se estende dramaticamente até que ela
complete o terceiro aniversário. Um pouco mais ou um pouco menos, dependendo da
sua má sorte. É justamente nessa fase que a pequenina começa a expressar seus
desejos e opiniões próprias, o que nem sempre se contextualiza de modo
civilizado e coerente.
- Liz, o que você quer
comer?
- Batatinha.
E quando o pai chega com
o prato de batatinhas...
- Eu não quero isso!
E dá-lhe pirraça.
A verdade é que aos
poucos – e por falta de alternativa diversa – os pais vão se adaptando aos
chiliques e faniquitos dos filhos. Acostumam-se a fazer as refeições ao som da
insuportável programação da TV infantil; aprendem a melhor forma de imobilizar
as pernas da criança na hora de trocar as fraldas (de modo a evitar um chute na
cara); e passam a agir com naturalidade enquanto ela se deita no chão do
supermercado e esperneia porque quer abrir e comer o tubo da pasta de dente que
acaba de ser colocada no carrinho.
É isso aí, parceiro...
A boa notícia, como
já disse Piangers, é que o terrible two não dura para sempre. E nem poderia.
Até porque depois dele vem o terrible three, o terrible four...
Até porque depois dele vem o terrible three, o terrible four...
segunda-feira, 14 de março de 2016
A Fase do Não
Não, não e não!
Taí a mais nova palavra
favorita da minha filha.
Desde que aprendeu a
juntar essas três letrinhas, a pivetinha não fala outra coisa. Tudo que se
pergunta – por mais curioso que seja – ela responde com um sonoro e estrondoso não.
- Lara, você quer papar?
- Não!
- Você quer água?
- Não!
- Você viu meus
chinelos?
- Não!
- Você já fez pipi?
- Não!
- Você gosta do papai?
- Não!
- Então posso ir embora?
- Não!
Dizem os especialistas
que a fase do não faz parte do
desenvolvimento infantil e se inicia por volta dos dois anos de idade. É nesse
período que a criança percebe que pode ter uma opinião própria sobre
determinados assuntos, o que será fundamental para a definição de sua
personalidade. Pois é. A baixinha está mesmo crescendo, quem diria... E aqui
vai um alerta aos navegantes! É nessa etapa que a filha começa a testar
autoridade dos pais e a explorar os limites da sua paciência ao rejeitar seus
comandos.
- Lara, vem falar com a
vovó!
- Não.
- Lara, tá na hora do
banho!
- Não.
E o que fazer? O
fundamental é manter a calma e tentar imaginar soluções criativas para
contornar esses inevitáveis impasses do dia-a-dia. Uma boa alternativa ao problema
– que nem sempre funciona, vou logo avisando – consiste em oferecer opções
claras e objetivas para que a criança tenha a falsa sensação de que possui as
coisas sob controle. Por exemplo:
- Você quer vestir a
blusinha branca ou a amarela?
- Você quer beber leite
ou suco?
É claro que não se pode
lançar mão desse expediente quando só houver uma resposta aceitável, como no
caso de sentar a menina na cadeirinha e colocar o cinto de segurança dentro do
carro.
E lembre-se que nem
sempre o não significa a negação de
um conceito. Às vezes, a criança fala não
porque está aborrecida ou simplesmente cansada. Isso geralmente acontece quando
ela recusa algo que seja de seu agrado (como um brinquedo novo) e pode estar
associado a uma portentosa birra. Nesses casos, nem chocolate resolve... Outras
vezes, o não é dito por mero hábito
ou força de expressão e não quer dizer nada mesmo.
- Lara, você quer ir
embora?
- Não.
- Então você quer ficar?
- Não.
Existem casos, ainda, em
que o não quer dizer sim, o que pode parecer meio complexo à
primeira vista, embora perfeitamente compreensível por uma mãe ou um pai
experimentado no assunto. O certo é que saber interpretar um não é uma arte de raro talento e requer
certa dose de experiência do ouvinte.
Mas não há nada que a
paternidade não resolva.
E, com um pouco de
paciência, qualquer novo papai ou mamãe estará habilitado a identificar os mais
diversos tipos de não. Portanto, não
entre em pânico quando a pivetinha se recusar a atender às suas ordens. Nem
sempre o não da sua filha significa
um desafio à sua autoridade. Na maioria das vezes, ela estará apenas testando a
sonoridade das letras e se divertindo com o impacto que essa palavrinha causa
ante a reação inusitada das pessoas.
E logo, logo essa fase
passa.
Ou não.
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Ou não.
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
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