terça-feira, 21 de julho de 2015

Pai não entende nada


pai de menina - eduardo buzzinari

PAI NÃO ENTENDE NADA

- Um biquíni novo?
- É, pai.
- Você comprou um no ano passado!
- Não serve mais, pai. Eu cresci.
- Como não serve? No ano passado você tinha 14 anos, este ano tem 15. Não cresceu tanto assim.
- Não serve, pai.
- Está bem, está bem. Toma o dinheiro. Compra um biquíni maior.
- Maior não, pai. Menor.
Aquele pai, também, não entendia nada.

(Luís Fernando Veríssimo)

terça-feira, 14 de julho de 2015

De pai para filha: como uma menina vê o seu pai


pai de menina - eduardo buzzinari


O pai é o primeiro amor na vida de uma menina.
E não há mal nenhum nisso. Muito pelo contrário.
É um sentimento doce e puro, que nasce espontaneamente e deve ser cultivado de maneira saudável. Até porque é com base na construção desse vínculo que a filha vai buscar o modelo de afeto que deseja receber no futuro.
De acordo com os entendidos no assunto, como Erikson, Freud e Piaget, a mulher adulta tende a escolher um parceiro com características assemelhadas aos pais ou cuidadores. Isso acontece num plano inconsciente e resulta dos estímulos recebidos nos primeiros anos de vida. De fato, as primeiras experiências afetivas do ser humano são aquelas vivenciadas dentro de casa, o que faz com que a infância tenha um papel decisivo na formação e no amadurecimento emocional do indivíduo. Ainda segundo a teoria freudiana, é por isso que as meninas tendem a buscar no futuro companheiro o arquétipo físico e psicológico do pai. Trata-se do famoso complexo de Édipo, só que invertido e, por vezes, também chamado de complexo de Electra.
É esta a fase em que a filha costuma dizer que “é a namorada do papai”. Nada mais natural. Isso ocorre porque a menina se identifica com a mãe a tal ponto que deseja assumir seu papel e, ao perceber que ela possui um relacionamento com o pai, tenta imitá-la, rivalizando com ela pelo amor paterno. É mais ou menos isso, eu acho... É claro que essa percepção da realidade vai se rompendo com o passar do tempo, mas deixará suas marcas indeléveis na personalidade da criança, que inconscientemente desejará um parceiro com atributos paternos. Portanto, dependendo do modelo que se tem em casa, a menina pode optar por um homem mais protetor e responsável ou mais autoritário, mais agressivo, mais inseguro e assim por diante, valendo, em toda sua extensão, a velha máxima tal pai, tal marido...
Por isso, é dever de todo pai tratar sua filha com carinho incondicional, desenvolvendo uma relação de respeito, confiança e amor. Afinal de contas, se hoje o pai trata sua filha como uma princesa, ela não aceitará nenhum tratamento inferior a esse no futuro.

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segunda-feira, 22 de junho de 2015

Livro "Pai de Menina" vira notícia de revista

O livro Pai de Menina: Bem-vindo ao Mundo Cor de Rosa virou notícia na
Revista On de Três Rios/RJ, que publicou uma entrevista com o autor na
seção 5 perguntas. A reportagem é de Frederico Nogueira.

pai de menina - eduardo buzzinari

Segue a íntegra da entrevista:

1 - Qual foi o momento que percebeu que a paternidade poderia render um livro?

A ideia foi surgindo aos poucos, ao longo da gestação da minha filha Lara, como uma brincadeira entre minha esposa e eu. Eram tantas situações engraçadas e vividas de uma maneira tão especial que achei que elas mereciam ser registradas de alguma forma. Então, comecei a escrever pequenas crônicas sobre cada etapa da gravidez e, em pouco tempo, o projeto foi tomando a forma de uma espécie de manual. Passei a compartilhar os textos com alguns amigos que já eram ou também seriam papais de meninas e o resultado rendeu boas risadas. Até que um deles me disse: Adorei o seu livro! E foi aí que pensei: É, acho que isso daria um livro...

2 - O livro foi escrito com diversos recursos de linguagem, como prosa, crônicas, diálogos, entre outros. Todas as situações foram de alguma forma vivenciadas por você ou há textos a partir de observações do cotidiano?

A maioria das situações foi genuinamente vivenciada por minha esposa e eu. O capítulo que narra a compra do bercinho pela internet e as peripécias da respectiva montagem, por exemplo, descreve exatamente o que aconteceu conosco na ocasião. Sem tirar, nem pôr. De resto, é claro que nem tudo é verdade. E muitos dos detalhes escritos foram inventados ou exagerados ao ponto de caricatura, sempre para dar um toque de humor à narrativa.

3 - Quanto tempo levou desde a ideia de escrever o livro até a conclusão?

Foi bem menos do que eu imaginava. Quase todos os capítulos foram escritos num período de quatro a cinco meses, entre o fim da gestação da minha filha e seus primeiros meses de vida. Tentei utilizar a linguagem mais coloquial possível para que o livro tivesse o aspecto de um bate-papo entre amigos, de modo a tornar a leitura leve e descontraída - o que, de certa forma, facilitou o trabalho de escrever.

4 - O humor, que é ponto forte dos textos, está distante da sua atuação profissional diária. Acredita que os textos surpreendam quem conhece seu trabalho como magistrado?

Talvez sim. Mas o bacana é que isso ajuda a humanizar a figura do Juiz, quase sempre identificado como um homem austero e mal-humorado, cercado pelo estigma da severidade. Por debaixo da toga, o Juiz é uma pessoa como qualquer outra, com todas as paixões e fraquezas humanas. Em matéria de sentimento, não vejo diferença entre eu e o preso que me pede para dar um beijo na filha recém-nascida ao fim de uma audiência criminal.

5 - E, afinal, o que é ser pai de menina? 

É entrar no carrinho de uma montanha-russa, despencar numa descida vertical de cento e vinte metros a uma velocidade de zunir os ouvidos, emendar três loopings seguidos e parar de cabeça para baixo no topo da curva. Só conhece essa sensação quem já andou numa montanha-russa cujo carrinho deu defeito no ponto mais alto de um giro em trezentos e sessenta graus e quem é pai de menina. Muitos dos quais garantem que estão de cabeça para baixo até hoje.
  

domingo, 21 de junho de 2015

sábado, 20 de junho de 2015

Como Trocar Fraldas




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domingo, 14 de junho de 2015

Escolhendo o Nome do Bebê


pai de menina - eduardo buzzinari
(Este texto é parte integrante do livro Pai de Menina: Bem-vindo ao Mundo Cor de Rosa, de Eduardo Buzzinari)


A essa altura do campeonato, não é incomum que sua filha já tenha mais pares de sapatos que dias de gestação e, mesmo assim, ainda não saiba como se chama.
Pois é.
A barriga da futura mamãe continua crescendo e já é chegada a hora de escolher o nome da sua princesa.
Aqui vale uma única regra:
nunca,
jamais,
sob nenhuma hipótese, causa ou circunstância, cogite a possibilidade de sugerir o nome de uma ex-namorada para sua filha, por mais inofensivo que possa parecer ou por mais bem-resolvida que seja sua relação conjugal.
A não ser que você queira despertar a ira de um dragão de sete cabeças loucamente enfurecido, cuspindo fogo pelas ventas e com a progesterona batendo na casa dos cento e sessenta.
Tudo por sua conta e risco.

No mais, vale tudo.
Vale escolher o nome da atriz preferida, de uma modelo famosa, de uma jogadora da seleção de voleibol ou até mesmo daquela heroína dos videogames por quem você era apaixonado na adolescência.
Vale homenagear a mãe, a sogra, a esposa do porteiro, a prima da diarista ou até misturar o nome das quatro para criar uma aberração grotesca e pavorosa (embora eu pessoalmente não aconselhe esta opção).
Vale inventar palavras malucas e sem sentido, como fazem as artistas de televisão.
Vale até escolher nomes mais simples e comuns, que não exponham a criança ao ridículo e à comiseração pública. Muitos, inclusive, adotam essa última corrente: menos criativa, porém mais segura e ortodoxa.
Questão de gosto.

- E então? Já pensou no nome? – pergunta a mãe indecisa.
- Já pensei em alguns... – responde o pai.
- Diz aí.
- Letícia?
- Não. Já é nome da filha da Débora.
- A Débora sua prima?
- Isso. A Débora.
- E qual o problema? Ela mora lá em Cascadura. Vocês mal se encontram.
- Nem pensar! Invejosa como ela é... Vai pensar que eu tô imitando o nome da filha dela.
- E que tal Vanessa?
- Não, senão vão pensar que é por causa da modelo que namora aquele jogador de futebol.
- Hum... Deixa eu ver... Isadora?
- Ficou louco? Esqueceu que seu sobrenome é Pinto?
- Vixi! Esquece...
- Mais alguma ideia?
- E se a gente misturasse nossos nomes?
- Acorda, Vágner! Meu nome é Gina!
- Tá difícil... O que você acha de Bruna?
- Não.
- Cláudia, Elisa?
- Não, não.
- Amanda, Taís, Priscila?
- Não, não e não.
- Sabrina, Raíssa, Ana Paula, Tamires, Bianca?
- Não. Nenhum deles.
- Carolina, Manuela, Luana, Cecília, Anita, Joana...
- Não, não, não, não, não e... opa!
- Que foi?
- Joana! Taí, gostei! Joana!
- Ufa! Então posso voltar a ler meu jornal?
- Claro que sim, amorzinho. Daqui a pouco te trago uns biscoitos.

E volta a Gina com os biscoitos.
- Vágner... E o sobrenome?
- Ora, isso é fácil. A gente pega um seu e um meu.
- Mas eu tenho dois. Um do meu pai e um da minha mãe. Como vou escolher? O que for preterido vai ficar desapontado.
- Bom, então a gente põe dois seus e dois meus.
- Mas aí o nome dela vai ficar muito longo.
- Ora, paciência. Aliás, deve ser por isso que Dom Pedro I tinha dezessete sobrenomes.
- Sei... E você vai querer colocar o Pinto?
- Onde?
- No nome dela. Onde mais?
- E por que não? Qual o problema com meu Pinto?
- Nada, é que...
- Escuta, Gina... Por que não deixamos essa discussão do sobrenome pra amanhã? Afinal, já escolhemos o nome hoje. Deixamos o sobrenome pra amanhã. Que tal?
- Hum... Tá bom.
E o marido volta a ler o jornal.
- Joana... Joana, gostei! Joana! Isso me faz lembrar... Peraí! Vágner, qual é mesmo o nome daquela piriguete da sua ex-namorada?

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